O Animal Collective, a carência do brasileiro e a vergonha da crítica

By km

Todo mundo que nasceu depois de 1971 cresceu ouvindo que os Beatles foram a maior banda do mundo. Dos sensos desta vida, esse talvez seja o mais comum.

Ao contrário do meu irmão, eu sempre gostei mais de outras bandas do que deles, primeiro foi o Led Zeppelin, depois foi o Radiohead, depois foi o Velvet Underground, e, quando chegamos ao Velvet, já não havia mais nada para se amar incondicionalmente e chamar de “minha banda favorita”.

As bandas vem e vão do coração, tem o Wilco e o Teenage Fanclub que me fizeram chorar copiosamente em cada um de seus shows, tem o Antony e a cat power que fizeram meu peito formigar e me sentir menos miserável, mas nenhum deles foram minhas bandas favoritas por mais de um ou dois meses. E isso não deslegitima a qualidade e a sinceridade das músicas deles, eles simplesmente não eram os melhores do mundo pra mim.

 

De fato, depois de assistir aos DVDs da Anthology, eu passei a acreditar que os Beatles foram a maior banda do mundo, tão grande que eu chego a duvidar que algum outro grupo vá angariar tantos fãs aficcionados nos próximos 1.000 anos, ou até mesmo inove tanto musicalmente quanto eles. Eles testaram os limites dos 4 canais, dos overdubs e de tudo a que se podia recorrer na época. O que veio depois, muito se sabe, foram canções impossíveis de serem executadas num palco.

 

Quando o Animal Collective lançou Sung Tongs, logo se via que aquilo não era música de palco. E se você procurar pelos torrents, soulseeks, youtubes e afins, encontrará os áudios dos shows daquela época e constatará que eles pareciam extremamente confusos em um palco. As músicas saiam magras e mal montadas, com outro pit, com outra batida, com outro vocal. Era muito estranho. Não que eu defenda a idéia de uma banda subir num palco para reproduzir as faixas de um CD, mas se ela vai mudar essas faixas, que seja para melhor. O AC, na época, mudava pra pior. Ou, sei lá, talvez meus ouvidos não estivessem preparados para aquilo tudo.

 

Desde 2005 eu não ouvia AC ao vivo. Mas, por algum motivo que só Deus sabe qual, eu fui para o Terra sabendo que a gig deles ia ser incrível. Foi uma apresentação curta, foi um desperdício colocá-los tão cedo, eles estavam visivelmente infelizes com a qualidade do som, mas, para mim, eles executaram o Sgt. Peppers naquele palco. Foi como um grande centro de cura espiritual, você não vê o que eles estão fazendo, mas sente o milagre acontecendo (da grade não se via o que exatamente o Geologist estava apertando e torcendo e mal se acompanhava o que o Panda Bear adicionava à canção, mas o Avey Tare estava praticamente nu à nossa frente).

E o milagre são músicas com 30 camadas sobrepostas, como se 30 canais simultâneos estivessem ligados, como se houvesse uma orquestra no palco e cada pessoa cuidasse de um barulhinho. Canções imensas, grandiosas, que te carregam com elas e suas notas flutuantes, que aprofundam ainda mais o não-limite do experimentalismo, que te fazem arregalar os olhos e pensar que aquilo não é humano, fazer uma música tão perfeita não pode ser humano, então a frase dele, “isso não está acontecendo”, fez todo o sentido. Era como um sonho, só que melhor, pois os graves reverberavam nos pulmões, as brincadeiras com as batidas, a transmutação indefectível de uma canção em outra (sem que a melodia parecesse ter sofrido uma quebra), as freqüências sintéticas que evocavam sons orgânicos, as melodias que pretendiam limpar sua alma te lembrando que a sua natureza é selvagem, e então você olhava para o palco e só via (às vezes) uma guitarra com o Tare, um teclado com o Panda, (provavelmente) um seqüenciador com o Geologist e um punhado de pedais que se espalhavam por todos os lados, e parecia um sonho defeituoso, não dava para acreditar que Peacebone estava entrando nos meus ouvidos e eu não via nada, não via de onde vinham aqueles sons todos, mas ela estava ali e ela estava me arrebentando por dentro, fazendo surgir o choro com o riso concomitante, fazendo meu espírito inchar sob minha carne, me colocando num semi-transe caloroso, cheio de sentimentos bons, me fazendo mudar de religião para seguir o Animal Coletivo como minha nova filosofia de vida e me dando vontade de falar para quem quisesse escutar: eles são os novos Beatles, só que melhor, eles conseguem executar faixas de Strawberry Jam num palco e deixá-las ainda mais sedutoras e vivas.

 

Terminada a gig, entrei em profundo estado de catatonia. Já não havia mais nada que eu quisesse ver e, mesmo que desejasse, não conseguia me desligar daquela apresentação. Eu passei todo o resto da noite feito um zumbi pelos palcos do festival, mas nada daquilo me interessava, eu só queria seguir o AC para onde eles fossem e assistir aos shows como se fossem missas em datas especiais, eu precisava de mais gigs como um viciado que  busca cocaína às 4h da manhã em Parelheiros, eu precisava e sinto que ainda preciso de mais doses de AC ao vivo, como foi facilmente notado nesta manhã, em que eu chorei de soluçar no ônibus ao primeiro acorde de Fireworks e chorei de novo quando vi os vídeos no site do Terra quando cheguei no trabalho.

 

Sabe, eu já amei muito algumas bandas e já vi shows indiscutivelmente fantásticos, mas o AC foi diferente e eu nem sei explicar porquê. Tudo o que eu consigo dizer é que o que eles fizeram comigo e com o meu coração naquele show foi sobrenatural e mágico e, diferente de um monte de gente infeliz que está papagaiando poraí, eu achei o show bem bom.

 

Reclamaram que foi curto, isso foi mesmo, e que eles tocaram poucas músicas e que “eles poderiam ter se preocupado em fazer um setlist com mais músicas, afinal, eles nunca vieram ao Brasil e sabem que o tempo é curto e eles poderiam ter feito Fireworks menor etc. etc.”

Blá, blá, blá. Você tem uma banda e você excursiona mundo afora. Você faz, seilá, 120 shows em um ano. Por que cargas d’água você sentaria com os seus amiguinhos e diria “então, a gente vai tocar no Brasil, esta terra tão especial, a gente nunca foi pra lá e vamos tocar só 45 minutos, que tal se mudássemos o setlist da turnê para agradar aquela galera?”. Jura por Deus que você acha que a banda tá muito preocupada com isso?

 

Brasileiro é muito carente mesmo. Toda banda e todo show é a mesma história. “ah, o Bob Dylan não tocou nenhum hit, achei o show uma merda. Nem falou com a platéia também, nem agradeceu, nada”. Além de ser carente é tapado. Quer que o cara toque o hit. Pra que? Pra mostrar que você sabe cantar junto? Olha, me desculpe, mas eu não vou em show pra ouvir hit. Eu vou em show pra ver como funciona ao vivo, para consumar as histórias de amor que eu tenho com as bandas (um dia eu falo sobre um show ser como o sexo, a consumação máxima do amor entre mim e um artista), pra sentir a música. Não pra sair reclamando que o AC não tocou nada do Feels (ai, como eu desejei que a pessoa deste comentário tropeçasse e caísse de boca no chão…quer ouvir as faixas do Feels? Construa uma máquina do tempo e volte para 2005!), ou que o artista não fez aquelas macacices que me dão vergonha alheia como o vocalista do Kaiser Chiefs falando “ê aiê cârrrraaaa!” (e a platéia, meu deus, nem reagia!!!), ou aqueles “obrrrrigádos” horrorosos pra puxar o nosso saco.

 

Porque eu definitivamente estou ali para ver o cara tocar a música dele e se ele fizer como Dylan, subir no palco, tocar sem mal olhar pro lado – e fazer isso bem – e sair sem dar tchau, para mim está ótimo, meu objetivo está cumprido. Se ele quiser ser gentil, como o Arcade Fire e o Belle and Sebastian foram, legal, acho massa, me divirto também, mas não é isso que me faz gostar do artista. E isso tudo está naquele mesmo pacote dos jornalistas que insistem em perguntar, em 100% das entrevistas que eles fazem, se o artista conhece ou gosta de alguma banda/artista brasileiro. Que carência, né, gente? Que necessidade de reconhecimento desesperado! O povo menos ufanista do mundo de repente se sente ufanista e quer shows exclusivos porque está no Brasil? Ora, vão se catar todos vocês. AC foi foda, apesar dos problemas supracitados. Só não enxergou quem foi muito brasileiro para o indie stage. E, respondendo a críticas negativas do show, talvez quem ficou um pouco mais afastado do palco tenho escutado o som embolado (um problema bastante comum em locais com teto de zinco e pouca gente para abafar as ondas). A gente que tava perto não percebeu nada.

 

 

(ps. Eu gostaria de explicitar o meu profundo desejo de uma doença bem feia para a maioria dos jornalistas que cobriram o Terra. Enfiem o seu senso comum e seus comentariozinhos-padrão reto adentro e por favor se afoguem em sua arrogância rotulando as gigs e as bandas com termos curtos e vazios. E eu não sei exatamente se o problema são os jornalistas em si ou seus editores tapados, velhos e quadrados que pedem que se dê mais atenção – e conseqüentemente mais espaço – para o Breeders e para o JAMC do que para o AC ou para o Spoon. É por isso que uma banda indie brasileira nunca se torna uma banda maior, porque está todo mundo parado no tempo esperando que revistas gringas especializadas ditem a nova tendência ou os novos nomes do cenário, como é o caso do CSS. E ninguém ousa mudar esse sistema, ninguém ousa botar o coração e alma em uma resenha, ninguém ousa dizer que tem bandas fazendo coisas muito inovadoras e elas merecem atenção e análise. É tudo um grande emaranhado de termos e citações que nada acrescentam, que nada incitam nas pessoas e que qualquer idiota com dois neurônios e meia dúzia de leituras a mais consegue fazer. Parabéns pelo trabalho sem sentimento e sem graça que a “grande imprensa” vem fazendo esses anos todos. Sugiro que continuemos buscando dicas e referências em blogs e sites amigos ou não, porque é neles que está a critica especializada.)

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32 Respostas para “O Animal Collective, a carência do brasileiro e a vergonha da crítica”

  1. Tiago Mesquita Disse:

    Achei o show muito bonito. O clima estava mais para throbbing gristle do que para Beach Boys. Mais para Suicide que para Scott Walker. Talvez fosse tudo isso processado aquela mesa com pedais e mpc. Aliás mais que isso ainda. Tudo processado, num clima alto-astral, com um espírito festivo, agregador.

    No Sung tongs isso existia. diferente dos discos anteriores, a música passa a ter um sentido social, que agrega gente em torno de alguma coisa pra cantar. O show nao tinha esse apelo comunitário, mas queria ver todo mundo junto numa boa. O tom aqui era mais de micareta, de dance music do que de pagode no bar. Mas foi uma festa, pouco usual, mas uma festa.

  2. katianogueira Disse:

    hahaha
    podecrer. muito mais throbbing gristle do que beach boys. teve gente que até desmaiou, de tão micareta do mal que foi!

  3. Luis Disse:

    Arrasou, falou tudo.
    Comfy in Nautica foi tão poderosa e destruidora que eu tive certeza de ela ter expulsado os chatos de plantão do galpão. Mas pelo visto alguns são tãos xaropes que conseguiram ficar e torcer o nariz pra aquela coisa incrível que estava rolando. Uma pena

  4. zack w. Disse:

    jesus!!! amém e amém para tudo que disse…está completamente coberta de razão, sobre o ac, sobre os fãs e sobre a imprensa…

    esse show eu perdi, e como doeu perder… :/

  5. Diego Maia Disse:

    Bom, acho que fiz minha parte dando o maior destaque possível ao Spoon na cobertura que ajudei a tocar no Abril.com :)

    No geral, concordo contigo: rola má vontade, pura preguiça de “pensar fora da caixa”. Pior é quando, além da preguiça, destilam veneno ou ofendem quem gostou. Jornalista de 30 e poucos anos fazendo algo que eu fazia quando tinha 15, muito tempo livre e frequentava listas de discussões de música e cinema. Triste.

  6. Cassius Disse:

    Então, Ká, eu não gostei muito não…

    Animal Collective é uma das minhas bandas prediletas da atualidade e, talvez até por isso, eu os tenha colocado em um pedestal e a decepção acabou sobrevindo.

    Achei que tiveram muitos pontos a favor, como, por exemplo, a curiosidade em vê-los construindo aquelas ótimas músicas ao vivo, na sua frente, bem como a fritação das batidas em altissimo som, que fazia até o corpo tremer e esse lance que você falou de eles trafegarem entre as músicas sem que ao menos percebêssemos a transição. E, óbvio, a bizarrice que se esperava de um show deles.

    Só que achei que, a médio prazo, o show foi cansativo e entediante. Sério.

    Nem achei curto, nem que eles tenham tocado poucas músicas, nem senti falta de músicas de álbuns anteriores (tá, de “Grass” eu senti).

    Só acho que não consegui ficar 100% entretido, como eu esperava que fosse ficar com a banda que eu mais tenho ouvido nos últimos tempos… E a gente estava lá para isso, não?

  7. kat Disse:

    cara, fecho contigo.
    pensei em escrever algo a respeito, mas depois desse texto, non precisa. =)

    e esse ps tá sensacional! =)
    onde eu assino? hahhaa

  8. katianogueira Disse:

    o jornalismo musical no Brasil é vergonhoso. mas é bem o que eu disse, Diego, blogs e sites amigos valem mais a pena atualmente.

    e, Cá, eu acho que um dos erros de alguns membros da platéia foi exatamente esperar por antigos hits (tinha gente gritando “who could win a rabbit” do meu lado). quem acompanha o Animal Collective sabe que, depois de lançar um disco, eles abandonam o repertório e já começam a mostrar coisas novas.
    achei até milagroso eles terem tocado fireworks, peacebone e comfy in nautica num mesmo show.

  9. arthur dantas Disse:

    Realmente o show foi diferente. E muito do que vc fala tá corretíssimo. Crítico de música gosta de soltar umas bravatinhas para parecer “radical” ou disfarçar o tanto que caga de medo do “editor” fazendo uma panca de mal. Mas tira-se as bravatinhas e a bajulação a ícones da imprensa estrangeira, o que sobra é um garoto mimado de condomínio, com pouca formação e que acha que “coerência” é coisa de gente careta.

    Mas parabéns por se ocupar com mais profundidade de um acontecimento tão especial quanto o show do Animal Collective.

  10. katianogueira Disse:

    ps. eu respeito a +soma!

    brigada, arthur!

  11. ZEGA Disse:

    Eu achei uma droga o festival… muito nego loco… bebida quente… comida fria… e ainda por cima escreveram ‘BUCETA’ com tampa de garrafa na porta do meu carro!!!!

    bjs…

    Zegas

  12. katianogueira Disse:

    hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

    I(L)zégas

  13. guga Disse:

    sensacional!

    vi o AC em agosto, no All Points West… astral bacana, publico variado e todos curtindo do seu jeito… de molecada fritando pelos cantos até crianças correndo pelo gramado com seus pais…. quando vi que eles estavam escalados para tocar no planeta terra, preferi nao cortar o clima da memória bacana de 3 meses atrás. Parabéns pelo texto!

  14. katianogueira Disse:

    que incríiiiivel. fiquei até com uma invejinha porque no seu show tinha gramado e crianças correndo e no meu, não! haha.

  15. Dago Disse:

    como é bom quando alguém diz exatamente o que você pensa sobre um assunto…

  16. katianogueira Disse:

    =)

  17. ana Disse:

    “ninguém ousa botar o coração e alma em uma resenha”. é isso que mais me incomoda em tudo. fico frustrada com as pessoas que parecem que são de pedra e querem parecer imparcial. tá tipo comer um biscoito de polvilho murcho. pão murcho, gelatina derretida. mesma sensação. haha
    por isso a gente lê a kátia que coloca todo seu coração e mais um pouco no seu texto. :*

  18. katianogueira Disse:

    ai, gente, tô ficando emo haha
    I(L)anêlena!

  19. a. Disse:

    Zegas, fui eu.

    beijos
    Paluga

  20. Claudio Silvano Disse:

    desisti de falar sobre o show. Você já disse tudo.
    Parabéns!

  21. marcelo altenfelder Disse:

    todas essas coisas estavam entaladas na minha garganta faz tempo.veleo.mesmo.to até salvando o texto!

  22. anacreola Disse:

    cheguei aqui pelo blog do Dago e, pôxa como é bom ler um texto que, além de exprimir tudo aquilo que vc pensa, ainda te faz reviver tudo que vc sentiu em um dos melhores shows da sua vida.
    agradecida, já virei leitora do seu blog.
    a partir de hoje tá no feed.
    beijo

  23. por isso « Disse:

    [...] tem pessoas como ela que escrevem tudo que você gostaria de escrever e nunca vai [...]

  24. bruno Disse:

    ôpa!! gostei desse lugar, vou vir sempre!! :-)

  25. Neo Disse:

    Sobre a carência do brasileiro e a vergonha da crítica…

    Falta cultura musical para uma grande parcela da população. Admitir que “Créu” seja top sucesso da música popular brasileira já diz tudo não é?
    No final, quando surge algo de bom, o resultado é não ser interpretado.
    Sai perguntando por aí quem é ‘Dream Theater’ e pouquíssimas pessoas vão saber. Se perguntar o que é rock progressivo então….

    Mimata!!

    Abraços do Neo

  26. k. Disse:

    tô emo com vocês.
    =*

  27. planeta terra festival « arpeggi Disse:

    [...] a peça mais artística do festival, seja lá o que suas mentes sujinhas vão entender disso. Leiam esse texto aqui da Katia, que faz uma análise bacana e apaixonada do AC (justo como eu faria, mas há a [...]

  28. guga Disse:

    “ninguém ousa botar o coração e alma em uma resenha”

    … eu tentei!

    http://subtropicalia.wordpress.com/2008/11/20/a-estrada-e-como-conhecemos-nossos-vizinhos/

    ;)

  29. guga Disse:

    valeu, katia!
    a idéia agora é manter esse clima… gostei da brincadeira! =p
    bj

  30. Colectivo Animal Disse:

    você é um prego burro pra caralho. para de cheirar loló e vai escutar música. até meu modem antigo de 30000 tirava sons mais legais que essa bandeca.

    poser.

  31. katianogueira Disse:

    (L)

    eu tb te amo, anônimo!

    e concordo plenamente com você.
    com a diferença que, por eu ser uma poser, eu não cheiro loló. eu cheiro cocaína!

    beijos e fica com deus!

  32. Eduardo Disse:

    Gostei do ps.

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