cogumelos de outubro

By km

como em Ninguém Escreve ao Coronel, os cogumelos de outubro começam a se manifestar nos meus intestinos em pleno setembro, antecipando um sofrimento que eu sabia que viria logo mais.
o coração alado da adolescência insiste em perdurar e angariar pequenos rostos barbados para o meu ról de paixões que só me metem ansiedade e nada mais. neste causo, um cogumelo resolveu entupir o fluxo, que é exatamente o que acontece quando eu acabo namorando. é um cogumelo que cresce além dos outros. e fica por ali um tempo.
eu sabia que ia chegar a temporada de compromisso de novo, porque eu canso da vidaloka e sossego, mas eu não queria que esse tempo estourasse antes da primavera ao menos. porque eu ainda tenho muitos sentimentos desorganizados aqui dentro e, antes das flores começarem a pintar os passeios urbanos, eles não vão se enfileirar e se acalmar.
entrei em pânico quando olhei para ele e vi que tanta beleza, gentileza, carinho e inteligência poderiam me reduzir a um coração quebrado e muitas noites de sono perdidas e muitas refeições puladas, que eu poderia me apaixonar por ele a qualquer momento, mas isso não pode acontecer. primeiro: eu não sei como ele me vê. nossos encontros e desencontros foram atípicos, eu fugi dele mais do que o necessário e abusei gratuitamente da atenção que ele me deu, além de ter me comportado de um modo bem pouco ortodoxo. segundo que em nenhum momento aquilo tudo pareceu ser mais do que sexo para mim e em nenhum momento ele me disse algo sobre ser mais do que sexo. como eu não tenho uma bola de cristal, não posso sair adivinhando o que o menino está sentindo ou pensando. e terceiro: o faceiro rapaz é lindo e doce com a humanidade basicamente, o que faria de um ser de touro com ascendente em escorpião ter coragem de mastigar o próprio braço de ciúme. eu já não sou a mais romântica das pessoas, se ele não esboçar o mínimo interesse eu não vou sair por aí de mãos dadas.
ok, antes fosse ele o cogumelo problemático.

é outro. um que eu nem tive escolha. o coração foi lá e moshou o menino, angariou, abraçou e guardou sem nem me dar tempo de cortar essa quase erva daninha de mim. enraizou fodido. percebi isso ontem, antes de dormir. rolei durante duas horas na cama pensando em quando vamos nos ver novamente e como vai ser e como vou me sentir e como ele vai agir.
o mundo não deveria ser assim. deveríamos ter o direito de escolher se queremos sofrer ou não. porque, olha, vou falar, esse daí é o mais puro problema. eu olho pra cara dele e vejo um caminhão de problemas, principalmente porque ele tem uma namorada. e dá um azar danado pegar gente que tem namorada, não curto. então o sofrimento já está todo aqui, pulsando mais do que a própria paixão, esta que está me atrapalhando um pouco, porque eu mal consigo decidir se quero vê-lo de novo ou se quero expurgá-lo da minha vida pra sempre amém. que coisa.

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3 Respostas para “cogumelos de outubro”

  1. ZEGAS Disse:

    da um azar da porra!!!! sai fora!!!!

  2. Ana Disse:

    encaminha pra Iemanjá, dentro de um barquinho de madeira…ta loco ow!

  3. kátia Disse:

    haha
    antes ele fosse só uma oferenda.

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