estreou hoje na Eldorado AM o programa “Pais e Filhos”, apresentado pela minha chefa Mônica Figueiredo. Rodriguinho, meu fiel escudeiro aqui na laje, tava com preguiça de escutar, mas eu o convenci de que a vida era um grande quadro de Salvador Dalí e que deveríamos enfrentar os 15 minutos com uma visão surrealista da coisa.
o programa é um grande bem bolado sobre o que é ter filhos e pequenos cuidados do dia-a-dia, além de dicas de música e cultura para crianças.
foram 15 minutos bem difíceis. não porque o programa é ruim, mas porque eu tenho uma vontade esdrúxula de ter filhos. e morro de vontade de ter a Júlia e o Antônio, morro, morro, e morro de vontade de adotar uma molecada, mais uns dois ou três.
porque filho é, antes de tudo, um pedaço de você que se expande pelo mundo, uma criaturinha que vai carregar, pra sempre, o seu coração pra cima e pra baixo, que vai te trazer todas as emoções mais fortes, que vai te fazer, invariavelmente, amar incondicionalmente de verdade um outro ser humano.
você pode até acreditar que você ama seu namorado infinito, mas isso é porque você ainda não teve filhos e porque você não enfrentou tantos perrengues de cabeça erguida por eles.
eu também não tive, mas bem sei o que minha mãe passou por mim e pelo meu irmão. e é mais pelo o que ela foi que eu quero ser mãe do que por um desejo genuíno.
cara, minha mãe era absolutamente demais. primeiro que ela sacava tudo muito rápido e, mesmo se ela sacasse uma bobagem que a gente fez, não rolava estresse. segundo que ela amava estar com a gente, entender o que se passava e fazer a matrona cheia de colo e carinho. terceiro que ela era engraçada, italiana piadista, e fazia troça de absolutamente tudo. quarto que ela não se levava a sério, nem a vida. tirava uma na minha cara quando eu ligava chorando de saudade do peguete da faculdade. “pára de ser tonta, minha filha. esse não vai ser o primeiro nem o último a fazer isso. desencana, vai pro bar com os seus amigos, bebe e fala bobagem que passa”. eu obedecia. ela poderia me dar um bilhão de conselhos, mas ela sempre me dava os mais simples e certeiros.
e é essa mãe que eu quero ser. camarada. amiga. sem moralismos. sempre com o colo livre pra um bom cafuné.
e passar por todas as fases. do aleitamento e noites de sono perdidas com cólicas, choros e fome à molecada crescida, trocando figurinhas de música e cinema comigo. e viver em função deles. trabalhar para alimentá-los, educá-los, fazê-los gente com coração e alma. até que a morte nos separe, amém.
Junho 23, 2008 às 12:28 am
vc vai ser uma boa mãe, kátia
Junho 23, 2008 às 4:07 am
zeus te ouça, rodriguets!