canções pro coração

By kátia mello

(com dicas da poplink e de migus, óbvio, porque eu não sei achar bandas)

o coração está frágil por motivos diversos e as músicas, que deveriam ser somente belas, fazem o peito doer como um pintinho esmagado pela pata de um cavalo.

quando eu cliquei no Grand Archives, esperava algo mais nova york anos 00, não sei porquê. a banda de Seattle (falando em Seattle, depois me lembrem de falar mal do Grey’s Anatomy!) não herdou nada do grunge. grazadeus, porque ninguém merece. é mais um lance belas sinfonias para dias cinzas (de alguma maneira bizarra, o sol não alcança essa cidade, seja pelas nuvens eternas com chuvas intermitentes, seja pela aura cosmopolita). e, quando falo em dias cinzas, me refiro também às pessoas de humor sazonal, assim como eu e você, que têm vontade de morrer quando acorda e vê o dia nublado pela janela e come um sucrilhos mole de leite escutando yo la tengo e pensando em como a vida anda entediante.

Grand Archives é bonito com seus violões, guitarras e teclados e sua pegada Arcade Fire/Polyphonic Spree/Magic Numbers/Of Montreal, isso pra ficar só nas bandas novas e tentar realizar alguma conexão neuronal no seu cérebro. mais pra trás, temos referências de nada menos que Flaming Lips e sua alegria ensolarada, um pouco da melancolia caipira-saudável de Wilco, o coralzinho meio Mamas and the Papas e Beach Boys (quando eles tão naquela fase menos Califórnia uhúúúl, sabe?) e as notas vocais e arranjos tipo Josh Rouse, além de um lance Galaxie 500 sem a fritônia velvetiana. entende?

não sei porquê (ou até sei), uma busca no amazon linka a banda a Vampire Weekend, que eu particularmente achei bem vocal punk oi com umas melodias meio Shaggs sabendo tocar e não tem muito a ver. eu até gostei do álbum, mas tem uns problemas, como eles quererem ser o Clash ou o Talking Heads (e passarem tão longe), e a sucessão das faixas ser uma descida ao inferno. começa bem, mas as músicas vão ficando chatas e massantes, além de ser tão repetitivo que, ao chegar na sétima ou oitava faixa, você tem vontade de jogar o disco pela janela.

bom, voltando ao GA, eles acabaram de lançar o primeiro disco pela Subpop e não vai custar nada você baixar.

depois, dá uma conferida em She & Him, tão Neil Young sem guitarras com pegada The Supremes (não sei porque, eu só consigo pensar nelas quando escuto a Zooey cantando as músicas mais felizes e na Dusty Springfield nas canções mais lo-fi). ”This is not a test” é tipo um vício há mais de um mês e “Why do you let me stay here” é tanta felicidade anos 60 que não dá pra passar reto deles.

ainda assim, se tudo lhe parecer cinza, tenta música eletrônica, algo sem nenhum sentimento. é a saída mais rápida e certeira, sempre.

Tags: , , ,

Deixe uma resposta