ontem eu fiz minha primeira tatuagem. tipo, não é “fiz uma tatuagem”, eu fiz primeira de todas as outras que virão. nunca faltaram idéias, o que faltava era coragem mesmo. aliás, dois tipos de coragem: a de deixar que alguém meta-lhe agulhas cheias de tinta e te fure e te rasgue e te pinte e a coragem de carregar pra sempre uma pintura no corpo.
tinha um pouco de pânico de mudar de idéia depois de um mês, ou um ano. olhar praquilo e falar “meudeus, que coisa horrível” e querer arrancar na faca. mas cheguei à uma conclusão que, por ora, me parece plausível: tatuar o que está no coração. que não vai sair nunca.
então fui lá e tatuei um coração com uma nota musical dentro. daqui uns dias, quando tiver dinheiro, óbvio, vou escrever embaixo: music is my savior.
eu freqüentemente lembro de um texto do Jardel Sebba na Superinteressante online…fui procurar esse texto, mas eu o perdi e a Super tirou do ar. pena. o texto era sobre os Smiths, mas ele não se prendeu à banda em si (além dos riffs magníficos de Johhny Marr). ele falava sobre a fidelidade das músicas. músicas não vão embora sem se despedir. músicas simplesmente não vão embora. músicas não te traem, não te trocam, não te abandonam. ontem a música me salvou novamente.
quantas vezes. quantas vezes música mudou meu humor, quantas vezes música me salvou do desespero, quantas vezes música me tirou de casa. aliás, é só música e cerveja que têm me tirado de casa nos últimos três anos.
então, sim, music is my savior, and i was maimed by rock’n'roll, i got my name by rock’n'roll. jeff tweedy estava certo o tempo inteiro. aliás, quando ele não esteve?
nos momentos bons e nos ruins a música estará lá, linda, me esperando. me levando pra pickups, estúdios, baladas, trabalhos, me trazendo afetos, desafetos, faltas de ar, frios na barriga e, quem sabe, até dinheiro.
eu não quero saber de música. eu quero sentir a música. eu não quero um iPod de 8gb, eu quero um de 160. eu quero todos os CDs e vinis que eu conseguir comprar, todos bem cuidados e incríveis nas minhas prateleiras, me esperando com todas aquelas cidades e calores.
o Fábio lá de Curitiba tem um “there’s a light that never goes out” no antebraço. eu tatuaria a mesmíssima frase no antebraço. há uma luz que nunca se apaga, e a minha luz é a música. é o rock. é o samba. é a mpb. é o country. é o caipira. é a eletrônica. é o jazz. é o blues. e todas as suas vertentes e galhos e trepadeiras que crescem dentro de mim “e vão me arborizando nua”. além de todo o sentido que os Smiths deram pra ela.
depois eu vou fazer Deus, do Laerte. porque é naquele Deus que eu acredito. depois eu vou cobrir o ombro com flores de cerejeira, por que eu acho lindo. depois vou fazer uma pantera-cor-de-rosa na panturrilha, porque é o desenho mais lindo, genial e phino de todos os tempos. e depois eu vou fazer uma quinta tatuagem. porque, reza a lenda, tatuagem em número par da azar.
;)
Junho 11, 2008 às 6:49 pm
Ahahaha! Massa!
As tatuagens são geniais moça, manda ver!
Mas só uma dúvida… Onde fica a tatuagem do coração?
Ou é segredo? :|
bjs
a
Junho 11, 2008 às 10:25 pm
hahaha
não
fica no pulso
Junho 12, 2008 às 3:43 pm
Maaaaassa…
Na próxima vez que trombarmos eu reparo.
Ou pode ser bom você me mostrar… Sabe como é, a idade, a distração, a esclerose… Não sou muito bão em reparar essas cousas…