agora sim!

Junho 15, 2009 por kátia mello

voltamos: anivelde.org/magoadecaboclo

muah!

brandnewhome

Abril 9, 2009 por kátia mello

agora a gente atende aqui, ó: http://anivelde.net/magoadecaboclo/

boa sorte pra gente clap clap clap

i can’t handle it

Abril 3, 2009 por kátia mello

assim como a felicidade, às vezes a infelicidade acontece e eu fico por uns dias ensimesmada. não se explica e não se combate: ela está ali e deve permanecer até que se resolva o que fazer para escondê-la. a própria tristeza me mostra como sair dela, por isso eu não entendo quem faz terapia. eu escolhi esse caminho – eu escolhi estar aqui neste lugar – e agora eu tenho que contemplar o destino e as saídas possíveis antes de dar o próximo passo. foi uma das piores decisões que eu já tomei na vida, isso eu sei, e ainda bem que aconteceu aos 25 e não aos 50. eu quase já não acredito mais no mundo e nas pessoas, prova disto é que abandonei o comunismo e a crença numa sociedade melhor.

o problema não é ter perdido a fé, é ver que ainda tem muito mais coisas testando meus limites. é ver que o planeta pode ser ainda mais inóspito, que as pessoas podem ser ainda mais mal-educadas, que os lugares podem ser ainda mais sujos, que a comunicação pode ser ainda mais cifrada. um leão por dia tem sido pouco, estou matando manadas inteiras dentro de mim.

eu fiz exatamente o contrário de todo o meu sonho, de querer ir embora, se isolar e manter o mínimo de contato com seres humanos, de amaziar com a natureza (porque só com ela eu sou incapaz de brigar), de parar de ver a imbecilidade carimbada na testa das pessoas porque não existem mais pessoas; não, eu fiquei e agora tenho de lidar com uma perspectiva de vida ainda pior do que nutri esses anos todos.

antes, era só guardar o nervosinho pra si, engolir um adolescente filhodaputa que não dá lugar a um idoso no ônibus imediatamente, engolir a vara jogando lixo no chão, engolir idiotas parados nas faixas de pedestre, engolir subalterno lavando calçada com a mangueira eternamente aberta, faz muito tempo que eu acho as pessoas muito pouco civilizadas, mas aqui é diferente, aqui foi dado o direito aos homens de serem bichos: o tratamento a eles dispensado é de bicho, o salário deles é o que você gasta no pet shop com o seu poodle mimado numa semana, o lugar que eles trabalham é uma lixeira a céu aberto, ninguém nem os enxerga. que tipo de comportamento pode ser esperado? aqui o mundo é um lugar pior, não duvide disso.

mas o grizzly bear me segura, com amor, com pianos, com two weeks, com fine for now, com foreground. mas quantos outros veckatimests serão necessários até acabar esse caminho?

anívelde

Março 31, 2009 por kátia mello

a nível de evolução, vamos estar migrando pra outro servidor essa semana. logo mais libero o link novo.

nova estação

Março 26, 2009 por kátia mello

de quantos amores você acha que eu acordo – mesmo depois de tanto tempo - com o cheiro da pele na ponta dos dedos? nos minutos de paz matinal, aqueles do café fresco, antes do banho, o seu perfume parecia impregnado como a tinta do feijão-preto embaixo das minhas unhas. cheirei e re-cheirei 14, 18, 29 vezes, porque é raro que eu exale notas amadeiradas de gardênia, sândalo e almíscar pelas digitais. pra te esquecer, me prometi desenhar 1000 sakuras – assim como fazem os japoneses que dobram mil tsurus em busca da realização de um desejo -, quando eu traçasse a milésima flor você estaria completamente ausente do meu coração. não foram necessários os mil desenhos (na verdade faltaram 971 flores), as sakuras eram uma desculpa para eu assistir o tempo passar, só ele seria capaz de tirar você de mim. e o tempo é hoje meu amigo, a minha rede em Itapoã, a mão que segura meu cabelo no chuveiro, o que bota ordem nos remendos do destino. ele cuidou para que as sakuras se soltassem das árvores e se espalhassem pelo chão, como uma promessa de alimento novo pra terra, assim como os ipês-rosa da Queiroz Filho andam formando tapetes magenta pela avenida.

o outono é mesmo implacável.

radiohead2

Março 24, 2009 por kátia mello

o Rafael ficou bravo e fez alguma coisa. eu apóio. organização de show no brasil ainda engatinha, todo lugar que consegue juntar mais de 10 mil pessoas vira merda. vide domingo, o iron maiden etc. etc. o reclame tá geral. matias, stycer, marcelo costa, marco aurélio…acho que é uma boa hora pra gente começar a parar de ser bundão.

radiohead

Março 23, 2009 por kátia mello

tomei um calaboca agressivo da banda ontem. foi um dos shows mais fudidos que eu já vi na vida. =D

é sábado!

Março 19, 2009 por kátia mello

noitealavanca-marco2

além dos clássicos de sempre, como animal collective, mae shi, of montreal e justice, vai ter set especial ‘menininhas’, com muita madonna, she&him, britney, MIA, nara leão, rita lee, duffy, santogold, rihanna, beyoncé, supremes e shaggs (ok, talvez eu não toque shaggs, apesar de elas serem as primeiras punks da história).

o cartaz lindo, lindo, lindo de morrer é da dani.

genial

Março 18, 2009 por kátia mello

dica da dani hasse.

a cadela

Março 18, 2009 por kátia mello

eu sempre lembro da cadela. uma hora antes de deixarmos a cidade, ela se prostrou, resignada, no lavabo de fora da casa e se colocou a apenas nos observar arrumar as coisas. enquanto ele caçava borboletas do outro lado do jardim e se encantava com um velho balanço lodoso, eu estava lavando o recipiente de água dela em um tanque em frente ao lavabo. me bastava um soslaio à direita e eu a via, via sua cara de tristeza, seu sofrimento puro, sua respiração pesada de saudade antecipada, sua raiva muda por estarmos a abandonando. a cada 3 ou 4 minutos ela soltava um chuinf abafado, como uma criança que chora escondido dos pais antes de dormir. cada vez que eu olhava pra ela, meus olhos ardiam e inchavam de um líquido que parecia lágrima de água-viva, daí eu mirava o teto e deixava que o meu rosto se alimentasse daquilo, sem verter maçãs abaixo. a cadela sabia que a gente estava indo embora. ninguém teria como avisá-la. bastou a ela o nosso movimento, as nossas feições murchas, para que ela soubesse que estávamos a deixando – eu para todo o sempre, depois de tê-la conquistado com mortadela e chilli beans. como a cadela, eu não precisei escutar nada. eu senti tudo. e sabia sem saber. e a tristeza dela talvez fosse tanta como a minha, mas talvez fosse menor, porque eu sabia que, ao atravessarmos aquele portão, nós estaríamos fatalmente distantes para todo o sempre. e o amor, nessas alturas de urubu não ir, não passa de resignação.

contagem regressiva

Março 16, 2009 por kátia mello

eu nunca falei sobre a minha relação sentimental com shows. funciona assim: uma gig é a consumação máxima do amor entre mim e uma banda, é o fim do platonismo tácito, o momento em que a música deixa de ser abstrata e passa a ser real e palpável, é como aquela pessoa que você flertou durante um tempo e agora está nua em sua cama. daqui a seis dias o radiohead vai se apresentar aqui em SP. eu não estava muito empolgada, na verdade se eu pudesse escolher entre eles ou qualquer outra coisa que eu já vi, como wilco, teenage ou lcd soundsystem, eu escolheria entre as últimas. a vontade de ver o radiohead ficou perdida em algum momento de 2003, depois do lançamento de hail to the thief (que eu acho só honesto). outro dia a gente discutia qual era o melhor disco deles e quase virou briga quando defendemos o  kid a e sua quebra, na época a gente escutava, estranhava, mas sabia que, no futuro, aquilo seria um marco. o ok computer é o melhor disco deles, fato, mas o disco que rompe com o rock e eleva a banda ao status de “experimental” é o kid a, glorificado com o lançamento de amnesiac (não vou comentar). lendo essa matéria podre (quem ainda perde tempo falando mal do Álvaro, brasil?) rolou uma afliceta com os inúmeros hits que estão no setlist. vai ser bom, vai ser um show do caralho. mas vai ser como reencontrar o paquerinha do primeiro colegial que nunca te deu bola e agora está louco pra te comer.

das pendengas invejeiras

Março 13, 2009 por kátia mello

eu parto do pressuposto espiritual de que se estamos neste planeta é porque somos seres involuídos. ainda mais em cidades como São Paulo, morar aqui é queimar karma, só pode. por sermos seres involuídos e infinitamente inferiores, sentimos raiva, paixão, ciúme e, por que não?, inveja. sim, todos sentimos invejas, uns mais, outros menos, tem gente que libera isso em forma de olho gordo, tem gente que aceita a inveja e guarda. eu não tenho muitas invejas negras, a maioria delas são brancas e brandas, como dos moradores de jericoacoara ou de nova york, ou de quem tem tatuagens lindas, ou de quem sabe se vestir bem. mas ele me causa uma inveja negra fudida, não sei nem medir esse tamanho de inveja profunda e raivosa que se alimenta dos meus mais genuínos e puros desejos. me peguei o xingando outro dia, só porque tenho inveja. tenho inveja que ele fica o dia inteiro cozinhando, tenho inveja que os pais dele têm dinheiro para mantê-lo em casa com as mais belas louças do mundo, com os mais nobres ingredientes e com os mais sofisticados utensílios de cozinha. morro de inveja quando pego a minha escumadeira de alumínio que queima a mão no meio da fritura, ou quando os cabos das minhas panelas vagabundas quebram, ou quando eu queria muito uma balança digital com precisão de meio grama, ou quando o meu pau de macarrão se parte em 6 enquanto eu abro uma massa. tenho inveja dos azeites de 180 reais que eu nunca nesta década vou comprar, tenho inveja que ele não precisa trabalhar pra pagar as contas e, por isso, tem tempo de fazer sobremesas lindas e saborosas, entre outros pratos que enchem os olhos e o coração com tanta beleza degustável. só pra constar, a gente não se conhece. se eu o conhecesse, a inveja se transformaria em orgulho, porque é isso que eu sinto pelos amigos que fazem coisas legais. mas eu sei umas coisas da vida dele, eu sei que ele é sociofóbico e tem poucos amigos, eu sei que ele tem depressões e angústias gigantescas, eu sei que a felicidade dele é abstrata e distante. agora me pergunta se eu troco a minha vida de pobre que pega o busão todo dia e atrasa faturas e contas, mas que tem amigos tão amigos que comem qualquer porcaria que eu faço – e ainda elogiam – pela vida dele? não troco. não troco minha vida suada pela vida “fácil” dele por nada neste mundo. não troco as festas frenesi na casa do mancha, não troco as jântas com 30 pessoas que dividem pratos e talheres sem nojinho, não troco as baladas de 20 reais (e ainda assim bem bêbadas), não troco esse riso frouxo que ganha o coração de sogras e crianças, não troco as noites frescas na varanda movidas a piadas e bobagens por uma vida glamurosa e solitária na cozinha nem fodendo.

eu não sei quem (nem de qual religião) me falou que nosso espírito vem ao mundo sabendo do nosso destino. eu acredito tanto nisso, principalmente quando acontecem dejà vús intensos. pelo jeito eu escolhi ter amigos de verdade. e isso não tem conta bancária no mundo que compre. do que eu tava sentindo inveja mesmo?

ps. e nada, absolutamente nada, paga uma discussão entre eu, goos, mancha e tomaz sobre quantos gramas de arroz cabem num copo de requeijão. com gente assim na vida, quem precisa de uma balança digital?

I(L)Torresmo presents: G-Zuz de Mobilete contra o Complexo de Golgi

Março 13, 2009 por kátia mello

agora a gente tem a nossa guilty pleasures:

g-zuz2

é amanhã, na casa do mancha. goos e tomaz prometem de bon jovi a beyoncé, passando por smash mouth, shaggy e guns’n'roses. no bar, o amor de sempre. uma lagriminha de pena para quem perder.

o desenho é do Ricardo Toscani.

keeps me searching for a wild heart

Março 12, 2009 por kátia mello

toohonest

via Too Honest, roubado da Dani.

i´m a believer

Março 12, 2009 por kátia mello

as capas da The Believer são sempre inacreditáveis. chorei com a última.

falando em I´m a Believer, morri com a versão do Robert Wyatt (na primeira aparição em público depois de ter se recuperado do vôo pela janela do terceiro andar).